Tuesday, February 21, 2006

Loucura


Estava assistindo as Olimpíadas de Inverno na tv ontem a noite e eles estavam apresentando 8 casais patinando no gelo. Um casalzinho da Bulgária apresentou a parte deles e como música de fundo eles tinham trechos do Fantasma da Ópera. Não assisti ao filme mas já assisti ao musical por duas vezes e sempre me vejo com dó do fantasma no final do musical. Acho que por gostar tanto da música e da trama do Fantasma da Ópera, torci pelo casal da Bulgária, mas infelizmente eles não ganharam nenhuma medalha.

Mas mesmo assim a apresentação deles me fez sentir a mesma sensação que senti quando assisti ao musical pela primeira vez. Para mim não há dúvida: o fantasma era louco e morreu de amor. Durante boa parte do musical você torce pelo amor do mocinho e da mocinha, mas para mim, chega um momento que passo a torcer pelo estranho amor do fantasma.

E existe alguma coisa mais estranha do que o amor? Quando somos arrebatados pelo amor não vemos mais nada, não sentimos mais nada, não falamos mais nada, não fazemos mais nada a não ser nos embriagar desse sentimento que nos toma por completo e nos faz transpirar por todos os poros o próprio amor. Quando em amor, perdemos os sentidos, perdemos o sono, perdemos o controle, perdemos a noção da realidade, perdemos a noção do coerente. Nos tornamos ridículos, nos tornamos infantis, nos tornamos sensíveis, nos tornamos cegos.

Mas e daí? Que venha o amor e que nos faça delirar; e que nos faça sonhar; e que nos faça perder o folego; e que nos faça dilatar a pulila, afinal de contas amar não faz sentido, é coisa para loucos, loucos de amor...

Friday, February 10, 2006

Entre o ser o o não ser



Agora nesse momento me vem a mente e lembro...
Lembro que você não é a minha cara-metade;
Que você não é a minha alma-gêmea;
Que você não é minha parceira;
Que você não é minha apenas...


De leve o meu coração sorri e lembro...
Lembro que você é a minha cara-inteira;
Que você é minha alma;
Que você é minha companheira;
Que você é minha e muito mais...


P.S. Esse post é dedicado a minha esposa Lucinha (Iú). Feliz aniversario Iú. Love you!

Tuesday, February 07, 2006

Presença


Se sua presença causa alegria
Queira estar presente

Se na sua presença continua alegria
Queira estar presente

Se na sua ausência, falsa alegria
Queira estar presente
Na mente, constatemente

Friday, February 03, 2006

O Sítio

Depois de vários comentários sobre a tristeza e crueldade do último post, resolvi ser bem light nesse aqui. Tão light quanto três veadinhos passeando no quintal da minha casa. Isso mesmo, confiram as fotos.

Meus amigos chamam esse lugar onde eu moro de "sítio" por ser tranquilo e ter uma florestinha no quintal. Mas na verdade não tem nada a ver com sítio nenhum porque fica dentro do perímetro urbano com supermercado, farmácia e escola, tudo ali na esquina. Inclusive o Seaworld fica a uns 10 minutos daqui e a Disney a uns 20 minutos. Definitivamente não moro no fim do mundo. E é um lugarzinho aconhegante. Quando estávamos comprando a casa, o antigo morador havia nos falado que vez por outra se via veados pastando na florestinha no quintal, bem como outros animais como tatus, flamingos, garças (o que nao é novidade na região), gambás e racoons. Os gambás ainda nao apareceram e isso não é ruim!!! O outros todos ja tinham aparecido, com excessão dos veados...mas eis que eles apareceram. A Natália os viu primeiro e me chamou para registrar. Ai estão algumas fotos.

Espero que, depois desse post light, esteja perdoado pelo post anterior tão asssim, digamos, real!!

Abraços e bom fim de semana!

Saturday, January 28, 2006

A Viagem

Ele fora convocado e estava lá quando devia. A adrenalina da situação o fazia insensível. As coisas de que sentiria falta, as pessoas de quem sentiria saudades, nada disso o atormentava. Simplesmente a ansiedade de cumprir a obrigação da melhor maneira possível o levava a frente dotando-o de uma coragem inexplicável.

Logo ao se apresentar eles o cobrem com roupas apropriadas. Toda a proteção necessária fazendo dele mais homem do que aparenteva ser. Novos amigos, novas missões, novos medos, novas sensibilidades, novos traumas, novas saudades. O coração também se tornara novo, diferentemente novo.

Ele cumpre as ordens exatamente como fora ensinado. Só não consegue cumprir uma e infelizmente a ordem de se manter vivo é por demais complicada e um explosivo invisível no meio do caminho viola tal ordem.

E assim ele volta para casa. A posição é horizontal, a adrenalina já não existe mais, as pessoas já não importam mais. Mas ele voltou, diferente, frio e adormecido. Mas pelo menos voltou!



Saturday, January 21, 2006

Do Massacre ao Amor

Sou um cinéfilo declarado, já estava com saudade e hoje finalmente deu certo nos "embriagarmos" de cinema. Não DVD, mas cinema mesmo com direito ao som alto nas caixas e aquela tela enorme à frente. As crianças e "patroa" entraram numa sala e eu em outra.

Na primeira sala assisti a Munich, sobre o massacre dos atletas israelenses nas olimpíadas de 1972. Muito interessante. Me instigou a chegar em casa e ler mais sobre esse episódio (Black September) e inclusive saber mais sobre os fatos após as olimpíadas. O filme não é monótono e muito pelo contrário, muita ação. E, mais uma vez, o filme me fez constatar a minha ojeriza por qualquer tipo de guerra e violência. Estou devendo um post sobre isso e agora então não deve demorar para sair.

Foi mais de duas horas de imersão no massacre de Munique, mas valeu a pena. Na segunda sala as coisas deveriam ser mais brandas. O filme escolhido: Brokeback Mountain. Como disse, as coisas deveriam ser mais brandas, mas após assistir a esse filme a gente sai da sala de projeção pesado. A senhora do meu lado chorava copiosamente durante os créditos. E não era para menos. O amor, sem importar como ele acontece, é bonito e mexe com os nossos mais profundos sentimentos. Fui, assisti, gostei e sai de lá acreditando ainda mais no amor e confirmando a tristeza que é a solidão.

Não vou falar mais para não estragar as surpresas para quem ainda vai assistir a esses filmes. Mas se você tem alguma dúvida se deve assisti-los, vale a pena tentar. E pra terminar, só mais duas fotos que achei bem bonitas sobre esses filmes.






E agora, boa pipoca, boa coca-cola e bom filme!

P.S. Os filmes assistidos por minhas mulheres foram: Nardia, Cheaper by the Dozen e Hoodwincked. Infelizmente para esses não tenho resenha!! :))

Wednesday, January 18, 2006

Sobre a verdade e o seu oposto

Não prefiro a morte por ser trágica;
Nem prefiro a cara fechada porque trava o coração;

Prefiro o coração apertado;
Prefiro o amor desmascarado;
Prefiro o choro e o soluço;
Prefiro o olhar piedoso e a dor dilacerada...

Mas não prefiro a verdade emcabulada;
Nem a verdade desregulada;
Não prefiro a verdade embaraçada;
Muito menos a verdade envergonhada.

Prefiro a verdade assimilada;
A verdade bem falada;
A verdade desmascarada...
Exatamente assim como prefiro a verdade verdadeira;
Simplismente a verdade, totalmente, inteira...

Caso ainda haja dúvidas, não prefiro a meia-verdade;
Nem prefiro a quase-verdade;
Simplesmente prefiro a verdade
A verdade verdadeira
Simplismente a verdade
Sem subterfúgios
Bem assim, a verdade sem eira nem beira.


P.S. Julia, você já está perdoada!!!! Dad loves U!!

Wednesday, January 11, 2006

Meu Bem Querer

Meu bem querer não me escolheu, apareci.

Meu bem querer não revela segredos, transparece.

Meu bem querer não fala de amor, se apresenta.

Meu bem querer não é lua, tem fases.

Meu bem querer não dorme, adormece.

Meu bem querer não prende, cativa.

Meu bem querer não escurece, sombreia.

Meu bem querer não se fecha, recolhe.

Meu bem querer não me cerca, se aconchega.

Meu bem querer não está a venda, já é meu bem querer...

Tuesday, January 10, 2006

Tá bom ou quer mais???

Recebi um mail ontem que tem tudo a vê com o último post escrito. Apesar de não estar no Brasil, achei muito útil colocar aqui para que aqueles que estão no Brasil comecem a se programar porque não vai faltar oportunidades para vocês darem as saídas de vocês com muito frequência nesse 2006. E eu? Bem, eu vou fazer o que eu puder aqui...mas com certeza aproveitando também. Boa leitura!

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2006 vai passar voando: Copa do Mundo, eleições... Quando abrirmos os olhos já estaremos em Novembro, fazendo planos para o reveillon de 2007. O negócio então é aproveitar muito cada bate-papo, festa, boteco com os amigos, almoços com a família, discussões por e-mail, comemorar como se deve - e como você merece - seu aniversário etc e tal. Mas chega de papo de livro de auto-ajuda e vamos ao que interessa:

> Carnaval - 25, 26, 27 e 28 de FEVEREIRO (ôpa, cabe uma viagenzinha aqui!..)
> Páscoa - 14, 15 e 16 de ABRIL ( aqui também!..)
> Tiradentes (21.04) - cai numa SEXTA (YES!)
> 1º de Maio - cai numa SEGUNDA (até agora tá maravilhoso!!! E nem chegou a Copa)
> Corpus Christi - 15, 16, 17 e 18 de JUNHO (para onde vamos mesmo?!)
> Revolução Constitucionalista (09.07) - cai num DOMINGO (nem tudo é perfeito...)
> 7 de setembro - QUINTA (emenda?!)
> 12 de outubro - QUINTA (emenda?!)
> Finados (02.11) - QUINTA (emenda?!)
> 15 de novembro - QUARTA (acho que não dá pra emendar...)
> Consciência Negra (20.11) - SEGUNDA
> Natal - de domingo pra segunda
> Ano Novo - de domingo pra segunda

Tá bom ou mais ou menos o ano? E tem mais!!!

> 13.06 (terça) - Brasil x Croácia, às 16h00
> 18.06 (dom) - Brasil x Austrália, às 13h00
> 22.06 (quinta) - Japão x Brasil, às 16h00
> OITAVA - 27.06 (terça), às 12h00
> QUARTA - 01.07 (sáb), às 16h00
> SEMIFINAL - 05.07 (qua), às 16h00
> FINAL - 09.07 (dom), às 15h00


Bem pessoal, que vai faltar dias nesse ano, isso vai. E tem gente que ainda reclama que a vida é dura...


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Definitivamente não dá pra reclamar!!! Continuem a ter um bom ano!!!

Tuesday, January 03, 2006

A gente vai sair hoje?

Era como se tivesse voltado à adolecência. Joga uma muda de roupa na mochila, pega uns trocados na gaveta, calça a Havaiana, coloca um pouco de gasolina no tanque e pega a estrada. Não foi bem assim nessas proporções básicas, mas foi muito assim dado a maneira como aconteceu.

29 de dezembro de 2005. O caminho foi o mesmo para o trabalho, mas a coragem não. Meio que me arrastei e me forcei a trabalhar. Acho que eu estava precisando do telefonema que recebi para tomar um caminho diferente e com a coragem redobrada. Minha filha me telefona perguntando se iríamos sair à noite. Essa é uma pergunta básica do vocabulário dela, não importa se é uma segunda-feira e eu chegue cansado e estressado do trabalho. Ela sempre quer fazer alguma coisa fora de casa. Mas nessa última sexta-feira de 2005 a pergunta soou como música. Naquele momento após ouvir a pergunta, para mim mesmo respondi que sim. Definitivamente iríamos sair a noite. Eu não tinha a menor idéia para onde sairíamos, mas sabia que sairíamos para algum lugar perto ou longe, mas algum lugar que não fosse ficar em casa.

Depois de alguns telefonemas a reserva estava feita. Destino final: Stone Mountain, Georgia. Seis horas de viagem nos separavam do nosso destino. Pegar um vôo para Atlanta? De maneira nenhuma!! Queria mais era o prazer de passar seis horas dentro de um carro no último suspiro de 2005 com as três mulheres da minha vida. (Minha vida tem muito mais mulheres, mas essas três moram comigo!! Jealousy Kills!!).

A passada em casa só foi para pegar as mochilas, passar a mão no dinheiro que ainda estava escondido na latinha de metal para alguma ocasião especial exatamente como essa, o AMEX na carteira para socorrer nas emergências, uns mapas básicos no laptop para não ir parar em New York e a vontade imensa de cair na estrada. Com o espírito que nós estávamos para essa viagem surpresa, até o hotelzinho de beira de estrada por $30.00 a diária era uma festa.


Já em Stone Mountain, os dois dias que passamos ali foram especiais. O colchão e travesseiros de penas de ganso eram confortabilíssimos; a paisagem era belíssima; o clima era friozinho como de serra; me empanturrar de McDonald's e Pizza Hut por causa das crianças não foi tão ruim assim; fazer o tour da CNN foi imprescindível; ver as crianças patinar no gelo foi emocionante e o tempo aproveitado com três pessoas que fazem de mim um dos homens mais feliz do mundo não teve preço.

E na volta da viagem e exatamente nesse momento que estou escrevendo fico pensando naquela pergunta que minha filha me faz pelo menos umas quatro vezes por semana: "A gente vai sair hoje?" O que que tem por trás dessa pergunta? Vejo que na visão de uma criança, o fato de sair de casa representa a novidade, o diferente. E isso é exatamente o que precisamos para não cairmos na monotonia da vida: novidades e coisas diferentes.

Felizmente naquela última sexta-feira do ano respondi a tempo e optei pelo novo e diferente. Demos sorte de ter podido viajar e ver paisagens novas e pessoas diferentes. Mas se não fosse assim e as paisagens não tivessem sido tão diferentes e nem tão diferentes fossem as pessoas, mesmo assim a saída teria que ter proporcionado o mesmo bem estar e a sensação de estar vivendo melhor. Isso sim, era fator primordial.

Portanto, de agora em diante quero sempre me perguntar: "A gente vai sair hoje?" E quero sempre ter respostas criativas para essa pergunta porque "a vida não pára no porto, não apita na curva, não espera ninguém..."

A propósito, você vai sair hoje?

Tuesday, December 20, 2005

2006 e os seus caminhos...

Já se encontrou alguém que lhe perguntou onde você estava quando os terroristas atacaram as torres em New York? Ou onde você estava quando o Challenger explodiu em 1986 ou, mais recentemente, onde você estava quando o Columbia explodiu quando entrava em órbita em 2003? A propósito, onde você estava quando John Lennon foi assasinado? Onde você estava quando a inflação no Brasil estourou nos anos 80 no governo Sarney? E onde você estava quando houve o impeachment do Collor? Tem muitas coisas nas nossas vidas que nos marcam. São cheiros, lugares, músicas, sentimentos, pessoas e acontecimentos. Todas essas coisas nos remetem a um tempo atrás e a nossa memória, por pior que seja, nos trás o passado de volta.

Mas nesse momento, nessa data adiantada de 2005 eu não estava pensando onde eu estava onde essas coisas todas aconteceram. Me vi pensando onde vou estar num futuro próximo. Onde vamos estar e o que estaremos fazendo em 2006? Estaremos percorrendo os mesmos caminhos? Fazendo exatamente as mesmas coisas? Conversando as mesmas conversas com as mesmas pessoas? Acordando à mesma hora e assistindo aos mesmos canais de TV?

Foi pensando nessas coisas que resolvi desejar algumas coisas para 2oo6. Então, aqui está a minha lista de desejos para 2006:

1. Achar fora do que já conheço uma banda, um grupo, um cantor...alguém que não seja os que tenho ouvido nos últimos anos (talvez minhas filhas tenham que me ajudar nisso!!!)

2. Deixar de assisitir tantos game e reality shows e passar a assistir mais sitcoms como Friends, Law and Order, Will & Grace, CSI... (estou aceitando sugestões!!)

3. Conhecer uma pessoa nova desde que não seja um cliente, um vendendor, o carteiro, um turista pedindo informação, uma ligação errada no celular ou fixo ou qualquer contato que não leve a um mero "muito prazer".

4. Visitar algum lugar diferente, onde nunca estive antes. Tem que ter parada (com pernoite, se possível!!), foto e exploração do local.

5. Ir a um restaurante onde não tenha estado antes (não vale a mesma rede mudando apenas o endereço e muito menos fast-food!!).

6. Amar ainda mais desesperadamente a minha esposa, as minhas duas filhotas, a minha família e os meus amigos do coração.

Perder peso, ler mais, ser mais organizado, lavar o carro com mais frequência...esses aí não preciso comentar. Tenho mais é que correr atrás!!

Sendo assim, continuo ainda sem saber exatamente onde vou estar no decorrer de 2006, mas com certeza quero estar num lugar melhor, com pessoas melhores, vivendo de maneira melhor e sendo uma pessoa melhor. Mesmo que fisicamente as situações não se alterem muito, mas que os corações e os espíritos sejam definitivamente melhores. E para vocês que estão me lendo,

Boa trilha e FELIZ 2006!!

Saturday, December 17, 2005

Dias de Chuva

O dia está bem nublado e uma chuva fininha está caindo lá fora. Chuva fria, já que me parece que toda chuva acima da linha do equador é fria. Lembrei até dos Carperters cantando:

"Talking to myself and feeling old
Sometimes I’d like to quit
Nothing ever seems to fit
Hangin’ around, nothing to do but frown
Rainy days and Mondays always get me down."


Hoje não é segunda feira, mas é um dia chuvoso. Mas mesmo assim, dias chuvosos não me deixam triste como a música sugere. Simplesmente me deixam com vontade de não fazer nada. Apenas ficar parado, deitado, sem falar muito. Muito possivelmente a chuva parece querer nos lavar das nossas impurezas e esse processo requer inércia.

Então não vou desobedecer às ordens da natureza. Vou ficar aqui quieto, uma velinha com cheiro de canela acesa e uma musiquinha de fundo. Lá fora, a chuva fininha e fria cai bem lentamente e insistentemente fazendo do dia um dia bonito. Bonito como só dias de chuva sabem ser.

Wednesday, December 14, 2005

Jealousy Kills!!

A imagem daquela mensagem tatuada no braço daquele mecânico está me perseguindo até hoje. Melhor então escrever alguma coisa sobre todos os pensamentos que andei pensando para exorcizar essa imagem e abrir o caminho para imagens melhores. Eu sei que vocês não estão entendendo muito bem. Então, vamos começar de novo.

Ainda na concessionária quando fui levar meu carro para revisão, mencionada no último post. A senhora de maquiagem pesada me traz a chave do carro. Vou até ao caixa para fazer o pagamento quando, pelo canto do olho, vejo esse mecânico conversando. Percebo que ele tem uma tatuagem no braço esquerdo. Não entendo porque quando as pessoas são tatuadas, elas não escolhem um tipo de letra fácil de se ler, já que querem dizer alguma coisa com suas tatuagens e sentem prazer em que as outras pessoas observem as suas tatuagens. Meio que virei a cabeça de um lado para o outro discretamente para tentar ler. Pronto, consegui ler a tatuagem: "Jealousy Kills" (o ciúme mata!). Uau, que mensagem numa tatuagem. Já vi tantas outras coisas tatuadas nas pessoas. Já vi "Viva Fidel", "Bush Sucks", "Love Forever", "Paz e Amor", mas "Jealousy Kills" era inédito. Acho que foi por isso que aquela imagem está na minha mente por tanto tempo.

O fato é que me apanhei pensando qual teria sido a experiência que levou aquele mecânico a se tatuar com essa mensagem. Qual teria sido o trauma para levá-lo a escrever na pele essa mensagem. Quero crer que ninguém morreu no episódio, mas alguma coisa morreu.

E por que então o ciúme mata? O ciúme exagerado, no seu afã de amar incondicionalmente, sem limite e desesperadamente termina sufocando, tirando o ar. O amor não se sustenta sem ar, sem espaço. Creio que o ciúme é uma daquelas coisas que, por existir amor, acontece. E quando acontece exageradamente, mata. A falta de espaço que o ciúme causa a um relacionamento leva ao assasinato do amor, da paixão. E quando a paixão escorre entre as brechas que o ciúme causa, ele mata aquela sensação gostosa de amar e ser amado.

Não, não vou me tatuar no braço. Nem nas minhas costas, nem no meu peito e nem em qualquer outra parte do meu corpo. Nem vou levantar uma bandeira contra o ciúme até porque uma pitadinha dele reafirma os nossos realcionamentos. Mas quando se perde o controle ele causa dor, fere, maltrata e destrói até a mais linda estória de amor. E nesse caso, como em todos os outros casos, quando se mata, não se pode ter de volta. Quando se morre, não há solução.

Então, meu amigo mecânico, fico feliz que você ainda tenha o braço direito disponível e que depois de recuperado da decepção, muito em breve você possa tatuar nele: "LOVE ROX*!!!"

* Giria com tradução livre da minha filha Júlia: O Amor é MASSA!!

Saturday, December 10, 2005

O Tempo


Acabei de deixar o meu carro na concessionária autorizada para a revisão de praxe. Esperei um pouco e fui atendido por uma senhora de meia idade. Muito simpática, apesar da maquiagem carregada para quem trabalha na recepção da oficina numa revendedora de carros. Outra coisa que me chamou a atencão foi o fato de ser uma senhora. Nós geralmente não esperamos pessoas do sexo feminino trabalhando numa oficina de carros da mesma maneira que não esperamos um pessoa do sexo masculino trabalhando numa perfumaria. Mas, passado o meu reajuste dos sexos com as suas devidas profissões, a senhora me comunicou que o carro estaria pronto em cerca de uma hora e meia. Como hoje é sábado, o dia está belo e convidativo, fiquei pensando nessa perca de tempo na espera do carro ficar pronto. Resolvi então aproveitar o tempo e usar um dos computadores que a revendedora coloca à disposicão aos clientes.

Eu já havia pensando sobre esse assunto e hoje ele veio a calhar com a situção: O Tempo. Ouvimos várias tiradas sobre o tempo, sobre a importancia do tempo e inclusive dizemos que tempo é dinheiro. Mas existe uma frase de uma letra de uma música de algum tempo atrás que ficou impregnada na minha mente e não esqueço nunca. Não lembro quem canta e nem quem escreveu, mas essa frase está guardada comigo: "O tempo não pára no porto, não apita na esquina, não espera ninguem..."

O tempo realmente não pára no porto. Nós podemos parar no porto, mas não o tempo. Nós podemos parar em qualquer lugar que a nossa imaginação permitir, mas não o tempo. O tempo muda as nossas características, as nossas feições, os nossos corações, os nossos pensamentos, as nosssas responsabilidades, e assim mesmo insiste em não dar uma pausa. O tempo não muda mas nos faz mudar com ele, mesmo que seja só fisicamente. Apesar de todas as consequências que o tempo traz a nós seres humanos, há pessoas que preferem ficar "paradas no tempo" e perdem assim grandes oportunidades de se tornarem melhores e mais saborosas. Há outras pessoas que preferem se desenvolver com o tempo e aproveitam cada oportunidade para se tornarem melhores e mais saborosas, exatamente como os vinhos. Se absorvemos o tempo apenas vivendo cada dia exatamente como o dia anterior ou se absorvemos o tempo vivendo cada dia da melhor maneira que podemos ser, é uma escolha única e individual. O tempo não pára para ninguém, não escolhe correr mais rápido para uns do que para outros, raramente dá uma segunda chance. O tempo simplesmente passa e a escolha que podemos fazer é vivê-lo da melhor maneira ou simplesmente passarmos com ele.

Da mesma maneira, o tempo não apita na esquina. Muitas coisas que nos acontecem durante a nossa estada aqui nessa vida, acontecem de maneira inesperada. Se não fosse assim seria tudo muito previsível e monótono. Seria realmente muito monótono se já nascessemos sabendo onde iríamos estudar, que profissão teríamos, com quem namoraríamos e casaríamos, onde moraríamos e quando morreríamos. Prefiro o desafio de ter que descobrir o que a vida nos oferece no seu devido tempo. Sem dúvida, prefiro as descobertas. Mas o tempo não nos avisa nada. As coisas acontecem ao seu tempo, quer queiramos ou não. Não somos forçados a tomar decisões, mas se as tomamos ou não as tomamos, isso de alguma maneira estará influenciando o resto das nossas vidas. É nossa missão então não só decidir ir com o tempo ou parar nele como tambem estarmos prontos para cada decisão a ser tomada a cada instante. Pintar a casa de branco ou de azul? Ir ao cinema ou a um restaurante? Ou ir aos dois? Ter um, dois, três ou quantos filhos? Casar ou morar juntos? Vestibular para medicina ou para filosofia? Aposentar e não fazer nada ou aposentar e fazer algum tipo de trabalho voluntário? E as decisões são muitas e o tempo todo: simples ou complexas, fáceis ou complicadas ou complicadíssimas...mas se as fazemos ou não, elas, mesmo assim, se apresentam. E se decidirmos não tomar qualquer decisão, por se só já é a decisão que tomamos. E assim o tempo não pára e nem nos avisa do que estar por vir. Acontece, simplesmente e inesperadamente.

E finalmente, o tempo não espera ninguém. Nós podemos esperar que alguma coisa aconteça, mas isso não implica que o tempo pára para que nossas vontades e desejos sejam saciados. O tempo é implacável e não perdoa. Para nós fica apenas a parte mais difícil de sabermos quando parar, se parar, sabermos quando e o que decidir...e depois disso tudo, não perdermos tempo e nem o tempo porque, seguramente e irremediavelmente, ele não espera ninguém.

Thursday, December 01, 2005

Natal: Luzes e Músicas entres outras coisas

Está nas luzes, está nas músicas no rádio, está no ar. Mais um ano acabando. Mas antes disso, Natal. E com o Natal, muitas coisas se transformam e se modificam nem que seja por agora para depois voltarem a ser exatamente como antes. Mas mesmo assim é uma época especial, única, tocante e transformadora.

Parece que acontece como num passe de mágica. De repente pequenas luzinhas começam a pipocar em todo lugar. Os nossos vizinhos compram metros e mais metros de luzinhas, uma atrás da outra como a querer iluminar cada centimetro de espaço disponível no jardim. E na grama, papais noel e renas mais iluminados ainda. As luzes piscam. São vermelhas, depois verde e amarelas. Os papais noel acenam e as renas mexem as cabeças de um lado para o outro. E quando se dá uma volta na vizinhança, todas aquelas luzes e brilho fazem você se sentir culpado por ainda não ter colocado uma única luzinha no seu jardim. Então nós nos perguntamos: para que tantas luzes iluminando um pouco da escuridão das noites de inverno? Talvez porque Natal seja um caminho certo e seguro para tornar os nossos corações iluminados da certerza de que Jesus será sempre uma luz no caminho daqueles que se propuserem a seguir a Sua luz. Ou talvez porque a luz revela o que se esconde no escuro de nós e muitas vezes é necessario nos tornarmos claros para dissipar as nossas solidões, as nossas dores, os nossos medos e os erros que acumulamos desde o Natal passado.

E não podiamos deixar de perceber nas estações de rádio, nos comerciais da TV e nas caixas de som das lojas as músicas natalinas que movem os nossos corações. São as mesmas melodias do ano passado e de todos os anos anteriores, mas mesmo assim parece que se vestem de uma roupagem nova e nos transportam o pensamento para outros mundos com a mesma intensidade de quando as ouvimos pela primeira vez. É bem incompreensivel a capacidade com que essas melodias nos fazem introspectivos. Então nós nos perguntamos: por que essas músicas que não mudam nunca tem a força de nos fazer silenciosos e pensativos? Talvez porque essas músicas foram divinamente inspiradas para que cada nota musical nos leve para dentro de nós mesmos nos dando a oportunidade de vasculhar as nossas entranhas e tentar uma conecção mais forte e constante com a Divina Inspiracao.

São as luzes e são as melodias que fazem do Natal uma época única. Mas as luzes se apagam e são guardadas para o Natal seguinte. E as melodias são arquivadas para serem tocadas daqui a um ano. E a falta do visual e do sonoro vai aos poucos nos tirando a sensação de Natal até que o ano se torna outro juntamente com as resoluções de sermos melhores, mais magros e mais organizados. Mas o Natal não desaparece, não pára e nem morre. Resta portanto não apargarmos as luzinhas que dissipam as nossas escuridões e medos como também não abrir mão de uma coneccão mais forte e constante com Aquele cujo nascimento criou o Natal.